quarta-feira, 5 de setembro de 2012

 
 
                             Surpresa é aquilo que nos aparece sem esperarmos, ser surpreendido é mais ou menos isso também, não gosto de uma coisa nem de outra por outro lado gosto de mergulhar no desconhecido quando eu é que escolho isso, só eu posso criar minhas surpresas, isso pra não ser antipático com ninguém, posso me odiar, mas não acho legal odiar outrem, nunca me esqueço quando tinha uns treze anos durante a confraternização de família no fim de ano, na forma de amigo secreto, esperava ganhar um disco do AC/DC que inclusive havia pedido e a pessoa que me pegou me deu um tecido brim pra minha mãe confeccionar uma calça, isso é surpresa, isso é ser surpreendido, mergulhar no desconhecido é outra coisa, claro, pode até acontecer uma surpresa boa, surpresa também é maniqueísta, o lado ruim me é familiar. Odiei a pessoa que me presenteou; minha tia. Tentaram me confortar dizendo que o tecido custara mais caro que um disco, nada confortante. Minha mãe, mulher “prendada” fez do tecido uma calça que não durou a primeira vestida, sai com ela pra andar de bicicleta, cai ralando um dos joelhos e rasgando também a calça que virou uma bermuda nas hábeis mãos da Dona Dedé, bermuda nessa época não ia abaixo dos joelhos como hoje, bermuda abaixo dos joelhos surgiu com a onda grunge, pedi pra que ela cortasse um pouco mais baixo que o normal, pra ficar parecida com a do Angus Young, no fim das contas alguma coisa de AC/DC tinha que surgir dessa presepada. Uma das poucas surpresas boas que tive foi, ironicamente, por causa do mesmo AC/DC. Em 1983 quando minhas irmãs, mais velhas que eu, me levaram pra assistir um filme no cinema, sábado a tarde, e eu poderia escolher o filme que a gente ia ver, até então só havia assistido um filme no cinema, Fúria de titãs e nem entendi muita coisa, mal lia as legendas e nem fazia idéia que aquilo tudo era sobre deuses gregos, enfim, chegamos ao cecontur e de cara havia o cartaz do filme que sem pensar duas vezes disse que queria assistir, o nome era “Deixa o rock rolar” e a ilustração trazia o Angus Young em um solo sob o logotipo cintilante nas pontas como uma navalha, não vi muita diferença entre os deuses gregos do fúria de titãs e os caras do AC/dc, eram sem duvida seres fantásticos de um mundo aquém de tudo que eu já tinha visto, tanto que na minha mente infante, quando vi a primeira vez os caras do Burn com o visual heavy metal achei que eram pessoas fantasiadas de AC/DC  assim como poderia encontrar alguém fantasiado de medusa ou Zeus .  

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