Não me siga;também estou perdido.
Nunca tenho tema, meu tema é o despreparo, minha acuidade esta na prova que me proponho a vencer que é escrever sem antes pensar sobre o que escrever, não gosto, não sei se é certo, creio que não, a boa vibração que balança estruturas está no acaso e não na disciplina, precisamos de acasos para entender melhor o que somos e como nos comportamos, precisamos entrar na rua que nunca entramos, ir a pé quando a viagem pede condução motorizada. Sim, santas bobagems que em nada poderiam ajudar...quem pode afirmar? As melhores coisas que me ocorreram nao foram planejadas, aconteceram, na surpresa, na hora certa que nem era hora pra mim. Planos falham e acasos podem nao ocorrer. Tudo tem dois lados e todos os lados são iguais ou não? depende, claro, do que estamos nos referindo, e sobre esse assunto que proponho no acaso de um domingo a noite eu mesmo não tenho referencias, nao sei do que se trata, estou a escrever sobre o que? sei lá, mas enfim, a coisa decorre, transcorre, vai embora mas não foge, nem pode porque não é do feitio da loucura fugir da cabeça em que ela mora, muitas vezes adormeçe, até esqueçe de aparecer, mas fugir nunca, esta sempre ali, aparece, por acaso? Quem sabe, até hoje penso em um problema que me ocorreu a muitos anos, o problema que na verdade é somente a normalidade, coisa normal isso, me falavam quando eu colocava o problema que tinha encontrado e o problema era o seguinte: como pode a gente ir dormir e acordar a mesma pessoa no outro dia? isso pra mim sempre foi insondavel, não tem lógica, eu pensava, e a resposta era a mesma sempre: isso ai é normal. Esse é um problema inverso a afirmação da loucura jamais morrer, é louco, não tem solução,porque quem é louco sera sempre louco. Tive um amigo a ums vinte e poucos anos atraz,o Bob, eramos fãs de heavy metal e isso nos unia, não havia diferença entreo que eu pensava e o que ele pensava, iguais, no modo de vestir, no tipo de cabelo, nas atitudes frente esse ou aquele problema eramos iguais, então ele foi servir o exercito e eu consegui escapar,ele não e durante um ano ficamos meio que em mundos opostos, eu na "loucura" e ele na hierarquia, nos acampamentos de treino, nas noite de sentinela e trajando a horrivel farda militar, foi um ano sem o Bob e o mundo nao deixou de ser o que era, esse ano passou e o Bob saiu do quartel, mas algum tempo depois ele enlouqueceu, nao aquela enlouquecida causada por aditivos quimicos mas sim a loucura própria dos loucos de hospicio, passava os dias falando sozinho, andando pelas ruas sem tomar banho, varios dias fora de casa, inclusive me deu toda a sua discoteca, cerca de oitenta lps, me deu todos e eu aceitei pois sabia que ele iria dar pro proximo que encontrasse. Então aquele meu velho problema de irmos dormir e acordarmos exatamente como somos acabou se mostrando algo que esse meu amigo experimentou diferente do "normal" pois que ele foi dormir uma bela noite e pela manha ja nao era mais o mesmo, havia mudado, pirou, caiu na insanidade e algo o movia, algo que não era mais aquilo que nos uniu durante tanto tempo, o que sera que o movia agora? sua familia achou que era coisa de "encosto" e nao demorou pra ele aparecer cheio de rosarios no pescoço, outros diziam que no exercito todos fumam e se drogam e ele acabou nao voltando mais do efeito das drogas, o que aconteceu com o Bob?Nunca mais o vi,a mãe dele passou a repudiar os velhos amigos por achar que tinhamos algo a ver com essa loucura, quem sabe nós tenhamos induzido ele ao uso de drogas, ou o heavy metal com aquelas capas cheias de demonios poderia ter facilitado a possessão do Bob, deve ter pensado isso, então o esqueci e nunca mais o procurei, não sei como esta agora, se bem ou mal, espero que esteje bem, claro, mas não sei. É, fica ai uma curiosidade que antes de começar a escrever esse texto não me passava pela cabeça fazia anos: como e onde estara o Bob?
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